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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pela noite dentro

Já não é a primeira vez que alguém me aponta erros de ortografia. Eu bem avisei no meu primeiro post:) eu sempre fui um mau aluno de português, espanhol, inglês, chinês, etc, etc, etc. E francês? acho que nem tenho o direito de considerar que fui aluno de francês:P
Mas os meus muitos erros têm outra explicação. As horas tardias a que normalmente escrevo.
Existem duas alturas do dia ideais para a escrita.
De manhã, praticamente ao nascer do sol. Onde a paz reina, a temperatura aquece, o silêncio ainda absoluto ou ao som da natureza. Nesta altura do dia as ideias aparecem como cogumelos. A nossa mente está limpa. Pronta a carburar.
Infelizmente não é nesta altura que escrevo no blog. Pois ou estou atrasado para o emprego ou estou a ver um dia em grande pela frente cheio de coisas para fazer e o pc fica para segundo plano.
Por isso, resta-me a segunda hipótese. Quando já toda a gente dorme, o silêncio retoma o seu esplendor. Não há filmes nem series para ver, não há pessoas com quem conversar. Não há mais nada para fazer, para além de escrever. Eu e os meus pensamentos juntos.
O revés da medalha: um dia longo de trabalho e uma cama a chamar por companhia. A lucidez já não é a mesma. Os erros que o confirmam:)
Contudo estudar pela noite dentro sempre foi o meu espaço. Apesar do cansaço, é nesta altura que encontro o maior isolamento. Menos distracções, mais concentração. Sem pressão do tempo, uma noite inteira pela frente. Ainda agora começou.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Silêncio

Um dos órgãos mais sensíveis do corpo humano: Ouvido. Constituido por minúsculos ossos sensíveis a qualquer vibração.
O melhor som que eles poderão captar será a ausência de som, o silêncio. Ou quanto muito o som das ondas a bater na praia ou os pássaros a cantar no meio de arvoredo, a suavidade da própria natureza que de perfeito tem tudo.
Mas numa sociedade cada vez mais concentrada nas grandes cidades. Cada recanto que não esteja colado a uma via de grande movimento é ouro. A circulação rodoviária/ferroviária é um dos grandes gerados de ruído, e numa cidade como Lisboa, é difícil encontrar uma casa que seja silenciosa. Eu que o diga das muitas casas que tenho visto para comprar. Na maioria ouve-se carros a circularem. Se não é carro é comboio, se não é comboio é avião, há sempre qualquer coisa. Também há que dizer que não procuro em qualquer zona de Lisboa. Claro que comprar casa numa zona com bons acessos é uma mais valia, nós passamos a vida em movimento.
Mas também não é só do exterior que vem a quebra do silêncio. Dentro de portas o ruído poderá por exemplo ser uma máquina, como um computador do século passado que tem uma ventoinha que mais parece um aspirador. Ou mesmo a própria voz humana que nos desvia a atenção.
Talvez por isso, eu tenho tendência a reservar o meu tempo de estudo para horas mais tardias. Quando toda a gente dorme e o silêncio predomina, lá estou eu a estudar. Também ajuda à concentração ser o período do dia onde somos sujeitos a menos interrupções, onde há menos coisas para fazer que não seja concentrar. Quem diz estudo, também diz escrever um blog. Grande parte dos meus textos foram escritos às tantas da manhã. Provavelmente não é a altura do dia que mais ideias tenho, mas realmente é a altura onde melhor me abstraio de tudo o que me rodeia e melhor me concentro. Existe um silêncio e uma paz eterna.
É isso que o silêncio transmite. Ausência de ruido, de problemas, de interferências. Transmite sossego e calma às atribuladas vidas que levamos. Ficamos só com o que realmente interessa.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Perdão

Hoje é o primeiro de muitos dias do ano. E também é o Dia Mundial da Paz.
Na mensagem anual Urbi et Orbi de Natal, o papa Bento XVI falou sobre a esperança que, com a vinda do menino Jesus, a paz nos vários países que actualmente se encontram em conflitos possa ser atingida. E no último domingo do ano de 2007, a 30 de Dezembro, celebrou-se a festa da Sagrada Família.
Tudo isto para dizer que o segredo da paz, a meu ver poderá passar pela família. Porque é que mais facilmente perdoamos um irmão do que um estranho?
É na união duma família que está uma grande força. O acto de perdoar.
É essencial a comunicação para procurar soluções de um conflito, temos que ser humildes e reconhecer erros próprios. Recuar se necessário. Mas no fim há que perdoar. Sem perdão não há paz.
E é no seio da família que usufruimos de maior perdão de quem nos ama. Podemos pensar naqueles que actuam ao contrário em relação aos seus pares, aqueles que por males feitos detestam-os. Por exemplo, o caso de um pai que abandona um filho e este aprende a odia-lo. Mas estas poderão ser as excepções que confirmam a regra. Podemos ler que o filho espera tanto do seu progenitor que um mal praticado por este origina uma reacção oposta do perdão: ódio. Um dos maiores geradores de guerras. O outro provavelmente é o dinheiro. Mas desse poderemos falar no futuro próximo.

Ódio vs Perdão. Quem não perdoa, odeia. E infelizmente no mundo actual, o ódio prevalece. Os americanos atacam e matam no Médio-Oriente. A Al-Qaeda responde com atentados. A esse atentados os americanos matam mais muçulmanos em resposta. E mais atentados são realizados pelos filhos dos que pereceram. E assim se dá um ciclo de mortes, sedento de ódio. Até alguém tomar a coragem de perdoar, o ciclo não quebra. Excepto, claro, se um dos lados deixar de existir com tanto extermínio:)

Mas a paz não se aplica só em guerras. Há a paz de espírito. Só nos livramos mesmo dos males se soubermos perdoar verdadeiramente uma pessoa. E se numa discussão ocasional justificarmos com males passados, isso é indicativo que tais males não foram perdoados. Perdão inclui esquecer.
Imagina hipoteticamente que uma esposa trai o marido e que este lhe diz que lhe perdoa. Tempos depois é a vez do marido trair. Às criticas da esposa o marido responde que ela não tem razão pelo facto que ela outrora também o ter traido. Nesta situação não posso dizer que o marido perdoou a sua mulher quando esta lhe traiu. Se ambos querem mesmo resolver este conflito a bem para os dois, têm que saber perdoar verdadeiramente.
Falo neste exemplo em traições, mas a mesma ideia se aplica a qualquer situação: esquecimento de fazer algo, ofensas do momento, actos irreflectidos, etc.
Mas o fim de um conflito tem que passar necessariamente pelo perdão.
Perdoar verdadeiramente há que ter intenção para tal. Perdão é muito mais do que uma simples palavra.

Então e o que é perdoar? é considerar que quem nos faz mal, na realidade não nos quer mal e por isso não há razão para guardar rancor. Não acredito que haja alguém que me queira mal só por querer. De certeza que há quem me faz mal, mas teve as suas razões. E se não fosse por elas, já não me faria mal.
Com isto também não digo que quem têm razões, me possa fazer mal. Se essas razões forem negativas, também ele devia aprender a perdoar, pois certamente o mal que causei foi intencional. E tal como já referi noutro post anteriormente. O dar e o receber. Se não perdoamos, também não somos perdoados.

No fundo devemos pensar que no inicio do tempos, ninguém tem razões para fazer mal. Mas como condição humana por vezes fazemos coisas intencionais ou de pura sobrevivência, e acabamos por ofender o outro. Se este perdoasse retomávamos o mundo perfeito. Infelizmente tende a não acontecer.
Fundamental para perdoar é ter noção que nunca temos 100% conhecimento de factos e de acontecimentos. Longe disso, e por isso poderemos desconhecer as verdadeiras razões para que algo tenha acontecido. E acabamos por julgar sem justa causa.
Além disso também temos que recordar que uma moeda nunca tem duas fazes iguais. E por isso é necessário saber as causas e factos dos dois lados da barricada para que o conhecimento seja o mais completo.
No inicio perguntei: "Porque é que mais facilmente perdoamos um irmão do que um estranho? ". A resposta passa pelo conhecimento. Conhecemos mais o nosso irmão, nas suas intenções e razões. Com um estranho, tal como a palavra indica, desconhecemos. Por isso temos dificuldade em julgar correctamente. Temos dificuldade em perdoar no escuro.
É por isso que na família o perdão é mais forte, o conhecimento é maior, os males são esquecidos prevalecendo o amor.

Com isto não digo que a resolução de um conflito passa por perdoar tudo, só por perdoar. A resolução terá que passar necessariamente pela comunicação que falei no inicio. Mas vejo o acto de perdoar como a razão para se fabricar uma solução do problema. Isto possibilita-nos retirar ódios e rancores da equação e pensar numa solução conjunta. Pensar na verdadeira solução. Na paz.