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segunda-feira, 31 de maio de 2010

A sonhar acima das nuvens.

São 8h da noite em Lisboa. Mas onde encontro não sei dizer que horas são. Pela janela vejo a fraca luz do sol na linha do horizonte e as luzes artificiais de uma pequena cidade. Devo estar a sobrevoar a Rússia e desta altitude devo estar a ver a luz que faz dia nos Estados Unidos.
Comecei esta longa viagem no Fundão. Onde não podia faltar ao casamento de um amigo:) Grande festa que tive que abandonar para não perder o voo agendado na manha seguinte. Tempo contado ao minuto. Penosa a viagem de regresso de carro desde o Alambique de Ouro a minha casa. Mas lá chego inteiro. Destino seguinte: Portela. Madrugada dentro gente apinha o aeroporto. Nem parece que eram 6h da manha. A mim está reservado voo com origem em Lisboa e destino para Shanghai. Passando por Londres.
Muita coisa está para acontecer e as expectativas são altas. Espero nos próximos dias contar e mostrar um pouco do muito que espero ganhar com esta aventura.

Aventura essa que começou meses antes. Muito trabalho de preparação, marcação e agendamento. Noites sem dormir. Organizar qualquer coisa dá sempre trabalho. Não há almoços grátis. Mas ainda bem. É assim que a vida tem significado. Podermos fazer alguma coisa com um intuito. O objectivo de sermos felizes. E com que no futuro possamos recordar.
Tardes inteiras a olhar para uma televisão já eu estou farto. Farto de não ser produtivo. E não ter objectivos de vida definidos.
Mas é possível mudar uma vida. Só teremos que querer, de ter vontade, de ter disciplina. Entender o que está mal. Realinhar prioridades. Entender onde estão as oportunidades e não deixar fugir. Isto é a base para atingirmos os nossos objectivos.
Mas atenção que descansar, descontrair, espairecer também é produtivo. Estamos a recarregar energias. Mas por acaso eu desde sábado de manha não durmo umas boas horas seguidas. Foi o casamento, o regresso para apanhar o avião. Voo para Londres não permitiu dormir muito tempo seguido. As horas de escala muito menos. E esta viagem de 12 horas ainda não permitiu dormir verdadeiramente. Seja pelo desconforto de um voo irrequieto, seja pelos filmes e disponibilidade multimédia que o serviço fornece:) E nem prevejo fazer um grande descanso nas próximas horas, pois chego a Shanghai logo pela manha e necessariamente há que aproveitar o dia. Os minutos continuam contados, há que aproveitar o máximo. E isso não tem preço:)

É assim que eu gosto. Dá muito trabalho e dores de cabeça. Mas conseguir sentir o fruto do nosso trabalho é gratificante. E se sentimos satisfeitos tentamos aproveitar ao máximo. Trabalho sem recompensa não tem gloria. É o trabalhar para nada. Trabalho implica o aplicar de energia num espaço temporal. E por isso será energia e tempo gasto sem proveito nenhum. Desperdício. E em tempos de crise não podemos dar esse luxo.

Por isso não deixem de fazer. Principalmente aquilo que vai ficar na memória. Aquilo que vai existir para sempre guardado como recordação. Não é o rotineiro. Mas sim momentos únicos. De uma vida única.


Adenda:
São 8h da noite, hora local em Shanghai. E estou pronto para finalmente dormir. Foram praticamente dois dias sem dormir. Como previsto, não dormir nada de jeito no avião e ao chegar de manha a Shanghai havia que aproveitar o dia. Dia todo a andar. Curiosamente nada haver com o que vi há 12 anos atrás quando cá estive. Muita coisa mudou. Curiosamente o que mudou também foi a Exposição Mundial. Há 12 anos atrás foi a Expo 1998 em Lisboa. Agora é Expo 2010 em Shanghai. LOL. E é isto que me espera amanha:D
Depois coloco imagens, pois aqui na china a net é limitada e já é uma sorte conseguir contornar e ter acesso simples ao blog:D

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Chegar atrasado será melhor que ser pontual?

No outro dia estava à espera de uma pessoa que vinha ter comigo, mas estava atrasada.
E fiquei a pensar...Será que as pessoas se atrasam porque é mesmo só falta de disciplina e organização do tempo? Ou será que as pessoas se atrasam porque têm tanta coisa por fazer que naturalmente o tempo não estica?
Claro que podemos encontrar as duas situações.
Mas sendo a segunda hipótese válida, contudo não sendo justificação para prejudicar quem dele espera, então podemos considerar o atrasado mais nobre que o pontual?
Sim, porque no fundo quem chega atrasado nas referidas condições significa que trabalhou/produziu durante mais tempo do que quem é pontual. Pois durante o período de atraso, o primeiro continua a ser produtivo, enquanto quem espera não o é. Aliás, tipicamente, quem espera suspende as suas funções de modo a estar imediatamente disponível e evitar o risco de ele próprio provocar um atraso e/ou deixar trabalho a meio e pendente.
Claro que nesta dissertação removemos o factor eficiência, pois é possível que quem é pontual consiga realizar o mesmo volume de trabalho de quem se atrasa, mas em menos tempo, permitindo estar disponível mais cedo.
Por isso, a questão que me coloco é a seguinte: Sendo pontual ou não, estarei a ser o mais produtivo que possa ser? Preencho a minha vida com actividades o melhor que posso? ou deixo que a minha vida se desenrole ao sabor do vento?
Na minha opinião acho que há sempre espaço para mais e melhor. Por isso nunca devemos deixar de procurar crescer e melhorar. Mas não podemos esquecer o respeito pelos outros. Pois só não somos produtivos enquanto esperamos porque não contamos com o tempo de atraso na nossa gestão e organização do tempo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Eyjafjallajökull

Eyjafjallajökull é o nome de quem toda a gente fala, mas ninguém se atreve a mencionar. Toda gente tem medo. Bem pior de que dizer...Voldemort. uuuuuhhhhhhh!!!
Pois é, o vulcão islandês que tem estado em grande erupção nos últimos dias tem nome. Não é pronunciável pelos comuns dos mortais, mas é falado e discutido por todos. Está na boca do mundo. Passa horas nas noticias e passeia livremente pelo meio virtual. Impressionante a sua força. Impressionante as imagens registadas.
Mas o pior é o impacto que tem causado ao mundo.
Tremenda erupção elevou cinzas para o céu a dentro, e estende-se por quilómetros fora. Inviabilizando grande parte do tráfego aéreo do espaço europeu. Milhares de voos cancelados, milhões de euros de prejuízo para as companhias e de quem delas depende. Consequências bem piores que a efeméride do 11 de Setembro.
A Mãe Natureza tem impacto real nas nossas vidas. Uma influência tão grande quanto podemos imaginar. Este ano de 2010 tem sido exemplo disso. Desde os vários terramotos destruidores que se têm verificado. Contabilizando Haiti ao Chile passando pela China e por ai adiante. Mesmo em solo lusitano, desde quando é que há memória da criação de trombas de água em pelo rio Tejo? Ou o tremendo registo de destruição na Ilha da Madeira?
Durante anos e anos a humanidade não tem tratado a Natureza como ela merece, com poluição e destruição dos recursos naturais. O mundo industrializou-se, está-se a informatizar, a robotizar, a automatizar, a levar a tecnologia ao extremo. Estamos a transformar o mundo segundo as nossas necessidades e desejos. Estamos aos poucos a substituir o papel da natureza. Mas estamos a tornar o nosso mundo numa Death Star!
A Natureza as is é perfeita. São milhões de anos de evolução que estamos a deitar fora. Como consequência da ruptura do equilíbrio existente acontecem estas catástrofes.
Como parte integrante da Natureza. Temos a obrigação de conviver naturalmente com ela. Pois no fundo nós próprios somos construídos pela Natureza. Somos seres naturais. Por isso há que integrar e manter o equilíbrio. Ajudar a reciclar e reutilizar. Nada se perde, tudo se transforma. Idealmente seria transformar para o que era originalmente. Voltando ao ponto de partida. Originando trabalho nulo. Pois fisicamente falando, o trabalho é o resultado do esforço aplicado desde um ponto de partida e um ponto de chegada. Se os dois são o mesmo, então o trabalho realizado é zero:)
Sem deixar registo de existência física. Evitamos deixar uma marca física na terra. A dizer, "eu estive aqui". Pois isso é efémero e materialista. Deixem sim, uma marca espiritual. No coração e na memoria das pessoas. Contribuem para uma evolução espiritual e mental do ser humano.
E se gostamos de nos rodear pelos melhores. De seguir o exemplo dos melhores. De nos compararmos com os melhores para atingir metas mais altas. Então deixem-se envolver com a Mãe Natureza, pois em milhões anos de evolução, não podemos ter ser mais perfeito que este.

sábado, 5 de setembro de 2009

Mais uma semana.

As ferias já lá vão. A primeira semana de recomeço de trabalho também.
Incrível como estas semanas de trabalho passam num instante. É o efeito rotina. Habituamo-nos a fazer sempre a mesma coisa dia após dia. Acordar cedo, trabalhar das 9h às 9h, jantar, copos e cama.
Mas depois de duas semanas de férias, este recomeço de trabalho é sempre diferente. Temos outra frescura mental e física. O andamento é outro. Ainda estamos num ritmo de férias.
Além disso, eu gozei as férias até ao último segundo. Ou seja, segunda-feira de manha vim directo de Armação de Pêra para Sines. Carregado com toda a tralha das férias e todo o material de windsurf fiz uma paragem obrigatória pela casa de Sines para trabalhar, antes de retomar à casa da partida pela noite dentro. Onde curiosamente me esperava um jantar para planear as próximas férias LOL.
Pois é, a vida não pode ser só trabalho. É por isso que já não andamos em noitadas malucas a trabalhar. É por isso que já nos damos ao luxo de ir jantar ao restaurante in de Sines. É por isso que posso ir descansado jantar a Vila Nova de Mil Fontes com um casal amigo de férias. É por isso que já consigo dar-me ao luxo de ir correr num Sines madrugador:D
Uma semana rápida, mas marcante. Seja pelo tempo passado, seja pelo rever da magnifica equipa onde me insiro, sempre alegre e bem disposta. Naturalmente com especial destaque para as princesas;)
Até o regresso à casa Mãe não deixa de ter algo de rotineiro. Leio o jornal enquanto janto e passa o telejornal ou qualquer serie de televisão. Deixo a ferver um delicioso chá de limão com gengibre e mel enquanto lavo a loiça e coloco a roupa na máquina. Há pois é, também é necessário tratar das lides da casa:) E para terminar a noite o portátil fica sobre a cama onde pretendo descansar.
É verdade que devia ser um fim de semana para descansar e tentar curar a minha tosse de vez. Para isso contribui o chã e uma noite bem dormida. Mas já sei que quem não vai colaborar é o vento. O windsurf agradece:)
Enfim, mais uma semana da minha vida, e que termina com mais um post:)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Enfim...é a vida que levamos.

Desta vez nem o proxy da APS me cala. Aparentemente todo o que é google anda a ser bloqueado, inclusive o blogger.com. Mas se juntamos um português que é informático de origem oriental...nada é impossível:)
Enfim, quando uns descansam e outros jogam poker ao sabor do álcool. Outros seguram o estaminé e inclusive atendem telefonemas do CDN. O trabalho está duro, projecto difícil. Mas é melhor ter um trabalho duro do que uma vida dura. O desemprego é cada vez maior. A crise mundial é grande. Os economistas, que pouco fazem de produtivo, não souberam prever o futuro negro da nossa sociedade.
Durante anos pareceu que toda gente ficou mais rica, mas multiplicação dos pães só há um, a multiplicação do dinheiro haveria de acabar e desmoronar toda uma estrutura capitalista.
Enfim2, é o que temos da nossa sociedade de hoje em dia. Não podemos voltar a trás, só temos que olhar para o presente e planear o futuro. Um futuro melhor sonhamos nós todos os dias. A vida é feita de sonhos, mas espero que não sejamos comodista e que nos contentemos pela ronha na cama. Minutos são minutos, horas são horas, o tempo não para e não volta para trás. E mais do que isso, os sonhos não andam se nós não andarmos. Há que fazer, há que lutar, há que exercitar. Acredito que somos recompensados pelo trabalho que fazemos, seja aqui na terra como no céu. Mas lembrem-se que não há almoços grátis.
Enfim3, mais um deploy feito e o turno da noite está pronta para ocupar o seu lugar na Albergaria D.Nuno em Santiago do Cacém. Mas sem antes cair mais uma chamada do CDN. Fazemos por nós, fazemos pelos outros, fazemos por todos. É bom que a recompensa seja eterna, pois o trabalho assim o parece.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Vou dormir, tenho sono.

Falta de tempo é tramado. Porque é que o dia só tem 24h? não dá para nada. Não se dorme o suficiente, não se trabalha o suficiente, não se diverte o suficiente. Vivemos uma vida louca. Segundo prioridades, opções, oportunidades, segundo poderes superiores e inferiores.
Estou desde 3 de Julho em Sines. Para entrada em produção na APS. Com um simples intervalo que nem chegou a 24 horas.
Esta pequena cidade até tem o seu encanto.
Mas noites atrás de noites, dias atrás de dias. Trabalho e mais trabalho. É por isso que não tenho tido oportunidade de escrever tanto como queria.
Mas assim não rende.
A provar isso é a grande estupidez que acabei de fazer! Podia entrar aqui em detalhes do trabalho que estou a fazer, mas havia de estar a falar chinês:D o multilingue é tramado.
Mas voltando a questão de fundo, fazer uma noitada significa viver mais umas horas seja a trabalhar ou a curtir, mas viver mais umas horas acordado. O pior é que por vezes nos esquecemos que também se vive a dormir. O corpo humano trabalha que nem um maluco para nos recarregar a energia. Por alguma razão o humano foi criado de modo a necessitar de dormir. Mesmo na pré-historia o homem dorme. Deus tinha razão quando nos criou.
Seja em camas fofas, pequenas ou grandes, no sofá, no colchão ou até no chão. Qualquer local pode ser um potencial local de repouso.
É verdade que resolvemos problemas durante a noite. É verdade que conhecemos o amor das nossas vidas numa noite louca ao luar. Mas é totalmente verdade que é durante a noite que sonhamos e criamos esperanças de vidas melhores. Criamos ideias e libertamos a mente para voos mais altos. E melhor que tudo, é quando eu tenho os pensamentos mais produtivos;)

Uma última palavra antes do descanso do guerreiro. O que nos safa são as princesas que ao menos animam as hostes da APS e equilibram o típico desequilibro deste infeliz mundo informático:)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Disparatar às tantas da manhã

Hoje tenho voo marcado para Barcelona para um daqueles fim-de-semana inesquecíveis:)
O problema é que o sol está quase a nascer e eu ainda estou acordado a resolver problemas de Java Heap Space, NullpointerExceptions, "cannot insert null" em campos obrigatórios da BD. E a aborrecer-me por não dar nada de jeito na televisão enquanto espero por release-local-code, por compilações, deploys, drops all e criação de tabelas, pelo arranque da base de dados ou do servidor.
A quantidade de tempo que uma pessoa perde em fazer nada. As máquinas e as tecnologias são cada vez mais avançadas, cada vez mais rápidas. Mas a exigência também é cada vez maior.
Que bom seria a idade da pedra. Poder passar o dia à volta da fogueira de papo para o ar:) Ou ser um gato ;)
A tecnologia é bom. Vem ajudar os preguiçosos e comodistas. Permite-nos chegar à lua e ao além. Descobrir doenças que toda a gente ignorava. Dá dor de cabeças a aqueles que nada pescam de computadores e aos que pescam mas que já estão fartos dos erros, das más implementações, das falhas, dos bluescreens. Mas curiosamente ainda não estamos na era do Terminator e por isso a tecnologia continua a ser um reflexo da imagem humana. Logo estas imperfeições só vêm demonstrar o quão imperfeitos somos. Ninguém é perfeito. O melhor que podemos fazer é tentar minimizar os nossos erros.
Como por exemplo, não fazer commits de código e esquecer-se de adicionar os novos ficheiros criados. Pois isso implica que toda a gente [neste caso EU] que fizer update deixa de conseguir compilar o código. E se não compilamos o código, não podemos testar o nosso trabalho. E ficamos parados até percebermos o que está a falhar. Depois lá tem que vir o martelo, pois o que dá mesmo vontade é partir tudo e seguir para outra.
Desta só para melhor? não. Desta para maluco. Mais do que já sou:)

domingo, 15 de março de 2009

O tempo custa a passar.

"Tempo é dinheiro" é o que se costuma dizer.
Mas não tem o mesmo valor para toda a gente, nem tem a mesma duração. Já Einstein com a sua Teoria da Relatividade mostrava que o tempo é relativo.
E a verdade é que para alguns o tempo custa a passar.

Hoje vi uma imagem que me deixou a pensar.
O tempo que a gente gasta, não por gosto, mas devido às circunstancias somos obrigados a passar. E que o retorno de longe é recompensado.
Para agravar, esta crise de ricos tem nos afectado a todos, e vem aguçar estas situações.
Contudo tenho sempre que agradecer a Deus pela vida que levo. Por pior que ela seja. Por pior que ela me pareça injusta. A verdade é que podia ser bem pior. Não é melhor porque não soube aproveitar da melhor maneira as oportunidades da vida.
Mas são as imagens de hoje que me fazem relembrar destas tristes situações de pobreza. Pobreza financeira. Pobreza de alegria. Pobreza de espírito. Pobreza de vida. E já nem me refiro a situações ainda piores, vividas em outros continentes, em condições desumanas. E que por vezes nos passam ao lado do pensamento, pois estão a quilómetros de distância. Mas hoje esteve a centímetros de distância. Uma imagem real, que quase que dava para tocar. Uma imagem simples, de uma cultura que se habitua a sofrer. Uma imagem quotidiana, que passa muitas vezes pelos nossos olhos, mas não lhe damos atenção. Uma imagem que lá está, e que infelizmente deverá continuar a estar por muito mais tempo.

A imagem de uma jovem sentada num banco do Centro Comercial Colombo, num belo domingo de sol. Rodeada de gente. Mas essa gente não lhe fala. O sol não lhe bate. E o banco encontra-se no meio de um dos corredores do centro comercial. Ao lado encontra-se uma bancada cheio de objectos inúteis, que nenhum transeunte se atreve a comprar. O olhos tristes da jovem focam o chão frio. Os pensamentos, de certo, longe do ambiente envolvente. As circunstâncias levam-na a sujeitar-se a um trabalho pouco remunerado, sem clientes, mas à vista de todos. Numa postura corcunda sobre a cadeira de madeira o tempo custa a passar.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Fim do sétimo dia.

Há uns anos atrás, as leis do socialmente admissível para um jovem estudante foram quebradas, ao ponto de participar em uma aula de matemática do "Prof. Einstein" a um feriado! Pensei que fosse o fim da vida tal a conhecia e que tudo era possível.
Mas afinal não há limites. Este fim de semana, pela primeira vez, não tive mesmo direito ao sétimo dia. A isso o trabalho exige.
Ninguém gosta destes desvios de plano. Somos contratados para uma coisa, mas as exigências são maiores e somos levados para maus caminhos. Contudo desde que estas excepções não se tornem regra, só nos fazem é bem.
Faz-nos sentir que conseguimos ir mais do que o normal, que somos capazes.
Faz-nos sair da rotina diária. Torna os dias únicos, e são estes os dias que iremos recordar até a eternidade, para o bem ou para o mal.

Além disso, será que conseguíamos exigir tanto de nós, se não gostássemos do que estamos a fazer? Eu gosto. E naturalmente torna as coisas mais fáceis. Não digo que vou fazer isto a vida toda, provavelmente não, espero que não. Tudo tem um prazo de validade. Mas vou gozando enquanto posso. Tirar partido das situações com que me deparo.

Agora tornar este tipo de vida uma rotina. Claramente que não. Mesmo gostando do que faço, não deixa de ser por obrigação. A vida pode ser muito mais do que trabalho. Amigos ou família, ou mesmo o windsurf:)

domingo, 20 de julho de 2008

No Monte da Cegonha

Eu tento escrever com algum regularidade para dar sempre algo novo aos meus muitos, muitos fãs:D E com razão, esta semana queixaram-se que não andava a "pensar". Mas realmente o trabalho nestes últimos dias foram penosos. Eu que gosto de dormir as minhas 8 horas, por vezes nem conseguia estar tanto tempo em casa.
Mas não me vou queixar. Primeiro porque sei que há muita gente que pelos seus fazem mais e têm vidas mais complicadas. Por muito difícil possa ser a minha vida, eu sei que é muito melhor que a vida de muita gente. Não tenho reais razões para me queixar. Tenho é obrigação de não desperdiçar as oportunidades que tenho. E encontrar nestas dificuldades o incentivo positivo para tentar fazer melhor. Não me posso deixar ir a baixo por estas "pequenas" dificuldades. E arranjar a desculpa para esmorecer. Pelo contrário, é aqui que encontramos a força extra para fazer mais e melhor. Pois a recompensa é claramente enorme. A satisfação de dever cumprido é maior, quanto maiores forem as dificuldades.
Por isso, antes de me queixar, quero realçar a beleza que a vida nos dá e o que temos que aproveitar. Se as manhas e as noites estão a ser utilizadas para descansar. Gozo desta linda tarde de sol. Depois de uma manha de verão nublada e a assombrar este belo dia de domingo para escrever o que não consegui durante a semana.
Aproveito o excelente ambiente que se vive na quinta dos meus tios no alto Alentejo e escrevo o que me vai na alma. Inspirado pela bela natureza tranquila e esverdeada. Sempre na presença da minha numerosa família que agora rodeia a piscina na amena cavaqueira. E neste momento ladeado pelos cães que sem razão aparente começaram a ladrar em meu redor:D
Infelizmente o nosso dia a dia é longe deste sossego todo. Na sociedade que vivemos quase que somos obrigados a viver numa metrópole. É lá que se encontra o nosso pão do dia a dia. Mas também é lá que se encontra a poluição, o ruído, as multidões e confusões, o transito, o cinzento e o betão. Não é que seja tudo mau, mas claramente aqui está-se melhor:)
Nos últimos tempos tenho procurado casa para comprar. E tenho visto dentro da cidade. Óbvio que preferia comprar fora de Lisboa, eventualmente junto mar. Mas como faço grande parte da minha vida na cidade, isso obriga-me a pegar no automóvel e perder horas do meu precioso tempo. Todos se queixam da falta de tempo. Não temos mais que 24 horas diárias, temos é que saber como as aproveitamos. E prefiro viver na cidade e poder ir a pé para o emprego como faço actualmente. São 15/20 minutos que tenho aproveitado para fazer as minhas orações diárias. Não há minuto que se desperdiça;)
Por isso se não podemos fugir à vida citadina, há que valorizar estes momentos de convívio com a natureza. E não é preciso ir para fora para encontrar paisagens deslumbrantes ou praias paradisíacas. No nosso cantinho que é Portugal, natureza é o que não falta. O que falta é arranjar um espaço do nosso tempo para aproveitar um ir lá para fora cá dentro.
A paisagem neste meu cantinho é lindo, montes alentejanos ao longe, árvores, plantas e relva em todo o lado. Família unida, tios à sombra da churrasqueira, primos e irmãos dentro e fora da piscina. E um sol maravilhoso.
Neste momento não há preocupações, só há o simples gozo do bom que a vida nos dá.
Por isso deixo os meus pensamentos para o próximo dia e volto para o convívio da família. O centro da nossa felicidade e o fundamental da vida.

sábado, 28 de junho de 2008

A luz virgem do sol

No outro dia disse que um dos momentos do dia que melhor encontro o meu zen para escrever é pela noite dentro. O outro momento mágico é logo pela manha ao nascer do sol. Quando o calor ainda não aperta, ouve-se os pássaros a cantar e sente-se uma brisa de ar limpo.
Um dos momentos mais calmos do dia e o silêncio impera, quando ainda muita gente dorme.
Acordar cedo para ser tocado pela luz virgem do sol. As ideias fervilham, os pensamentos passam. Os problemas ainda dormem.
Adoro acordar cedo. Exercito os músculos, torço os ossos e articulações. Estico ao máximo e contraio o mínimo. Damos o impulso e a força para começar um excelente dia. Um começar cheio de energia. É verdade que quando fazemos exercício de manhã, ganhamos uma força extra para o resto do dia. Ganhamos dinamismo. E encaramos os nossos problemas com outro espírito.
Neste momento, andar de bicicleta por essa Lisboa fora é a minha eleição. Apreciar as ruas vazias. Comerciantes a abrirem as lojas. O silêncio calmo de uma cidade a despertar.
Acordar cedo é aproveitar bem o dia. Aquele dia que é sol e não é noite. Eu não gosto de acordar tarde. Acordar ao meio-dia, pelo sua própria definição é acordar a meio do dia, é "perder" metade do dia. Cada vez mais as pessoas se queixam da falta de tempo que têm. O que falta mesmo é organização e aplicar devidamente o nosso tempo da melhor maneira. Com isto não digo que não se deve dormir, pois é o recarregar de baterias. Mas considero que dormir mais leva-nos a ter ainda mais sono. A bateria fica viciada:) Pior ainda se fizermos rolha na cama, preguiça é pecado:)
De um ponto de vista diferente: depois de uma noitada, seja ela a estudar/trabalhar ou seja a divertir/curtir. Gosto da sensação de apreciar o desaparecer da escuridão e observar o aclarar do céu azul. É o renascer para um novo dia, a esperança. A escuridão e tristeza de ontem já é passado, agora o que interessa é o futuro, brilhante e radioso como o sol:) Então se a noite passada correu bem, melhor ainda, dá um impulso positivo para o novo dia que ai vem.
Hoje até acordei antes do sol nascer. Ainda estava frio, mas refrescante. O céu limpo antevê um óptimo dia de praia. Infelizmente para mim hoje não é dia de praia. Não deixa de ser sábado como para toda a gente, mas é dia de trabalho. E por si só, o acordar custa mais sabendo o que nos espera:( Nestes últimos dias o acordar também tem sido mais penoso que o habitual. Esta semana estivemos em testes interactivos com o sistema central e outros países europeus. Portugal entrou em acção nos dois últimos dias:) O problema é que Bruxelas acorda uma hora mais cedo:P O normal torna-se cedo. Estamos no lado errado da cauda da Europa:( Mas as adversidades só nos tornam mais fortes. E seguindo o mesmo nível de sempre, o nosso desempenho é o esperado. Cumprimos com todos os objectivos. Quanto aos outros...bem, eles lá sabem de si:)
Enfim,o sol já la vai. E antes do trabalho a minha vuelta de Lisboa matinal espera-me:) Como já é habitual, hora e tal a escrever e a disparatar. Mas desta vez na companhia da luz virgem do sol:)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Pela noite dentro

Já não é a primeira vez que alguém me aponta erros de ortografia. Eu bem avisei no meu primeiro post:) eu sempre fui um mau aluno de português, espanhol, inglês, chinês, etc, etc, etc. E francês? acho que nem tenho o direito de considerar que fui aluno de francês:P
Mas os meus muitos erros têm outra explicação. As horas tardias a que normalmente escrevo.
Existem duas alturas do dia ideais para a escrita.
De manhã, praticamente ao nascer do sol. Onde a paz reina, a temperatura aquece, o silêncio ainda absoluto ou ao som da natureza. Nesta altura do dia as ideias aparecem como cogumelos. A nossa mente está limpa. Pronta a carburar.
Infelizmente não é nesta altura que escrevo no blog. Pois ou estou atrasado para o emprego ou estou a ver um dia em grande pela frente cheio de coisas para fazer e o pc fica para segundo plano.
Por isso, resta-me a segunda hipótese. Quando já toda a gente dorme, o silêncio retoma o seu esplendor. Não há filmes nem series para ver, não há pessoas com quem conversar. Não há mais nada para fazer, para além de escrever. Eu e os meus pensamentos juntos.
O revés da medalha: um dia longo de trabalho e uma cama a chamar por companhia. A lucidez já não é a mesma. Os erros que o confirmam:)
Contudo estudar pela noite dentro sempre foi o meu espaço. Apesar do cansaço, é nesta altura que encontro o maior isolamento. Menos distracções, mais concentração. Sem pressão do tempo, uma noite inteira pela frente. Ainda agora começou.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Trabalho em Equipa

Hoje fui a uma formação sobre Trabalho de Equipa.
Muito bom a vários níveis, principalmente quando vimos o carro a passar por cima da ponte com sucesso:)
O formador era bom orador, talvez um pouco de mais para o âmbito da formação. Pois por vezes parecia-me que estava numa formação de auto-estima, a levantar a moral:) Mas a verdade é que para estarmos inseridos numa equipa, não nos podemos rebaixar ou desistir. Temos que ter atitude. Ajudar e deixar ajudar. Comunicar, trocar experiências e ideias, partilhar sucesso e insucesso (felicidade ou infelicidade). Unido num objectivo comum. Ser cúmplice e responsável.
Não ser egocêntrico, nem fazer juízo de valor ou estereotipar. Não ser agressivo nem passivo.
E com isso tudo conseguimos: eficácia e eficiência, crescimento pessoal e inter pessoal, motivação, inovação, produtividade, criatividade.
Quantos de vós não ponderaram sobre estes pontos quando inseridos numa equipa de trabalho? seja no emprego ou na universidade ou etc. Não acham bem? eu acho.
Mas e agora se virem numa perspectiva do mundo global? nós todos não estamos inseridos numa grande equipa chamado Humanidade? Trabalhamos pelo nosso bem estar, pela preservação da natureza, por aqueles de quem amamos. Ou conseguimos isso tudo sozinhos? o próximo é o nosso parceiro de equipa.
Faz sentido ver o mundo como uma empresa em que a Humanidade é uma grande equipa que trabalha para o seu futuro. Nós somos os colaboradores, nós somos os clientes.
Aplicamos estes conceitos no nosso dia-a-dia?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Trabalhar e Estudar: O pior dos dois mundos.

Uma pessoa sai da universidade para começa a trabalhar. Horários fixos das 9h às... até quando for preciso. Com problemas que nunca mais acabam, toda a responsabilidade a cair sobre nós. Em último caso será para quem nos substituir, mas espero que não cheguemos a tanto:)
Mas começa-se a trabalhar e diz-se logo que o tempo de universidade é que é. Ai que saudades. Borgas e festas todos os dias. Sem horários fixos e 24h sem responsabilidades. Se não é hoje, é amanha.
Claro que depois existe o reverso da medalha: Por um lado ganhamos independencia financeira; pelo outro lado ganhamos noitadas a estudar.
Como contra-balançar entre os dois? e que tal os dois? Independencia financeira e 24h sem fazer nada. Querem melhor do que isto?
Mas a realidade é outra. Se juntarmos 1+1, temos que levar com o bolo todo.
E isso tem sido os meus últimos dias. A preparar-me para a certificação de SCJP daqui a uma semana. Incrível mas o tempo não cresce. Como é que ainda há gente que acredita na teoria da relatividade do Einstein. Mas mesmas 24h que todos nós temos direito, há que trabalhar e estudar. É acordar cedo e cedo erguer. Uma duzia de horas no desgaste do trabalho e voltar a casa para estudar enquanto os olhos se mantiverem abertos. Às tantas da manhã lá descansamos as poucas horas que temos antes de voltar a erguer.
Nem nos fins de semana nos safamos. São só dois dias em sete. E pois claro o sacrifício de abdicar de tudo. Abdicar da nossa vida por meros trocos, e por umas palavras no curriculum vitae, que nem a ouro são banhadas. Sim, este tipo de certificados pouco mais são do que ter o direito em colocar umas palavras mágicas no currículo. Certificação de conhecimento? Longe disso, aprendemos muito mais com a experiência no dia-a-dia do trabalho do que com o que decoramos para o exame.
Respeito bastante aqueles que por necessidade precisam de trabalhar enquanto estudam. A vida não lhes foi simpática. Mas mesmo assim, lutam contra as adversidades. E não terão menos oportunidades de serem felizes. Esses sim, merecem. É com estas comparações que reparamos que somos fracos. Estamos muito mal habituados.
Vocês não sabem a sorte que têm por terem tempo para ler o meu blog. Há quem não tenha.