
A CASA - Centro de Apoio ao Sem Abrigo é uma instituição sem fins lucrativos que dá apoio directo aos sem abrigo. Com a ajuda de sócios e de donativos, seja monetários, ou alimentícios ou roupas, a associação vai reunindo fundos para distribuir bens fundamentais para a sobrevivência daqueles a quem a sorte não quis nada.
Depois de o ano passado ter contribuído com uma doação monetária. A semana passada decidi finalmente desfazer-me daquelas peças de roupas que já não dou utilidade e doei tudo à associação.
Mas ontem decidi ir mais além e ter um papel mais directo na associação. Juntei-me aos vários voluntários de quem a CASA depende, e segui com eles para a rua para distribuir refeições. Um grupo maioritariamente jovem dos vários quadrantes da sociedade com disponibilidade e vontade de ajudar. Não custou nada. Em um par de horas se prepara as refeições ou se recolhe contribuições de alguns restaurantes. Seguimos para Arroios e em uma hora se distribui uma pequena refeição embalada seguido de um copo de sumo, uma peça de fruta, pão e leite. No final distribuiu-se alguma roupa. Curiosamente, roupa essa que em parte me pertenceu. E tive o prazer de testemunhar ao vivo a sua distribuição e repartição.
Numa fila de quase uns 80 sem abrigos podemos encontrar um pouco de tudo. A vida não escolhe cor nem signo. Vão desde aqueles mais humildes que recebem a refeição sossegadamente e seguem a sua vida, até aqueles mais exigentes que chegam à situação de reclamar por mais. Não sei até que ponto, este processo se pode tornar uma rotina, um hábito que fica interiorizado como uma obrigação. E que se pode reclamar caso não seja devidamente cumprido. A verdade é que mesmo sendo um sem abrigo, não deixam de ser pessoas como nós. Pessoas de hábitos e vícios. Exigentes da boa vontade dos outros. Naturalmente que eles precisam de uma ajuda regular, mas não estarão a ficar demasiado dependentes dessa ajuda? Claro que não digo que devemos parar de ajudar, antes pelo contrário. Mas repensar e inovar não faz mal nenhum. Pois eu sempre digo que devemos sair da rotina, e isso aplica-se a toda a gente, seja sem abrigo ou não.
Nesta altura parece que só estamos a garantir que eles não se afoguem e mantenham a cabeça à tona da agua. Quando no mundo ideal o que se quer é retira-los da água:S
Em tempos, na altura do ensino secundário com o meu colégio, já contribui com a distribuição de apoios a famílias desfavorecidas. Uma realidade bem diferente da vivida ontem. Não sendo uma ajuda tão regular, tipicamente um ou duas vezes ao ano, estas famílias fazem mesmo o favor de agradecer o apoio dado. E conseguem mesmo transmitir essa sensação de felicidade e alegria.
Neste caso, com os sem abrigos, devo confessar que estava à espera de sentir outra emoção por poder ajudar quem mais precisa. Um sentimento de infelicidade e tristeza é reinante nestes ambientes. Uma relação fria com o mundo. Naturalmente que não levam a vida que sonhavam e não vê o futuro mais risonho que este. Uma realidade crua e dura.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Centro de Apoio ao Sem Abrigo (CASA)
Autor
Daniel aka DnlCY
à(s)
03:45:00
0
pensamentos extra
domingo, 20 de julho de 2008
No Monte da Cegonha
Eu tento escrever com algum regularidade para dar sempre algo novo aos meus muitos, muitos fãs:D E com razão, esta semana queixaram-se que não andava a "pensar". Mas realmente o trabalho nestes últimos dias foram penosos. Eu que gosto de dormir as minhas 8 horas, por vezes nem conseguia estar tanto tempo em casa.
Mas não me vou queixar. Primeiro porque sei que há muita gente que pelos seus fazem mais e têm vidas mais complicadas. Por muito difícil possa ser a minha vida, eu sei que é muito melhor que a vida de muita gente. Não tenho reais razões para me queixar. Tenho é obrigação de não desperdiçar as oportunidades que tenho. E encontrar nestas dificuldades o incentivo positivo para tentar fazer melhor. Não me posso deixar ir a baixo por estas "pequenas" dificuldades. E arranjar a desculpa para esmorecer. Pelo contrário, é aqui que encontramos a força extra para fazer mais e melhor. Pois a recompensa é claramente enorme. A satisfação de dever cumprido é maior, quanto maiores forem as dificuldades.
Por isso, antes de me queixar, quero realçar a beleza que a vida nos dá e o que temos que aproveitar. Se as manhas e as noites estão a ser utilizadas para descansar. Gozo desta linda tarde de sol. Depois de uma manha de verão nublada e a assombrar este belo dia de domingo para escrever o que não consegui durante a semana.
Aproveito o excelente ambiente que se vive na quinta dos meus tios no alto Alentejo e escrevo o que me vai na alma. Inspirado pela bela natureza tranquila e esverdeada. Sempre na presença da minha numerosa família que agora rodeia a piscina na amena cavaqueira. E neste momento ladeado pelos cães que sem razão aparente começaram a ladrar em meu redor:D
Infelizmente o nosso dia a dia é longe deste sossego todo. Na sociedade que vivemos quase que somos obrigados a viver numa metrópole. É lá que se encontra o nosso pão do dia a dia. Mas também é lá que se encontra a poluição, o ruído, as multidões e confusões, o transito, o cinzento e o betão. Não é que seja tudo mau, mas claramente aqui está-se melhor:)
Nos últimos tempos tenho procurado casa para comprar. E tenho visto dentro da cidade. Óbvio que preferia comprar fora de Lisboa, eventualmente junto mar. Mas como faço grande parte da minha vida na cidade, isso obriga-me a pegar no automóvel e perder horas do meu precioso tempo. Todos se queixam da falta de tempo. Não temos mais que 24 horas diárias, temos é que saber como as aproveitamos. E prefiro viver na cidade e poder ir a pé para o emprego como faço actualmente. São 15/20 minutos que tenho aproveitado para fazer as minhas orações diárias. Não há minuto que se desperdiça;)
Por isso se não podemos fugir à vida citadina, há que valorizar estes momentos de convívio com a natureza. E não é preciso ir para fora para encontrar paisagens deslumbrantes ou praias paradisíacas. No nosso cantinho que é Portugal, natureza é o que não falta. O que falta é arranjar um espaço do nosso tempo para aproveitar um ir lá para fora cá dentro.
A paisagem neste meu cantinho é lindo, montes alentejanos ao longe, árvores, plantas e relva em todo o lado. Família unida, tios à sombra da churrasqueira, primos e irmãos dentro e fora da piscina. E um sol maravilhoso.
Neste momento não há preocupações, só há o simples gozo do bom que a vida nos dá.
Por isso deixo os meus pensamentos para o próximo dia e volto para o convívio da família. O centro da nossa felicidade e o fundamental da vida.
Autor
Daniel aka DnlCY
à(s)
18:00:00
0
pensamentos extra
quinta-feira, 27 de março de 2008
Silêncio
Um dos órgãos mais sensíveis do corpo humano: Ouvido. Constituido por minúsculos ossos sensíveis a qualquer vibração.
O melhor som que eles poderão captar será a ausência de som, o silêncio. Ou quanto muito o som das ondas a bater na praia ou os pássaros a cantar no meio de arvoredo, a suavidade da própria natureza que de perfeito tem tudo.
Mas numa sociedade cada vez mais concentrada nas grandes cidades. Cada recanto que não esteja colado a uma via de grande movimento é ouro. A circulação rodoviária/ferroviária é um dos grandes gerados de ruído, e numa cidade como Lisboa, é difícil encontrar uma casa que seja silenciosa. Eu que o diga das muitas casas que tenho visto para comprar. Na maioria ouve-se carros a circularem. Se não é carro é comboio, se não é comboio é avião, há sempre qualquer coisa. Também há que dizer que não procuro em qualquer zona de Lisboa. Claro que comprar casa numa zona com bons acessos é uma mais valia, nós passamos a vida em movimento.
Mas também não é só do exterior que vem a quebra do silêncio. Dentro de portas o ruído poderá por exemplo ser uma máquina, como um computador do século passado que tem uma ventoinha que mais parece um aspirador. Ou mesmo a própria voz humana que nos desvia a atenção.
Talvez por isso, eu tenho tendência a reservar o meu tempo de estudo para horas mais tardias. Quando toda a gente dorme e o silêncio predomina, lá estou eu a estudar. Também ajuda à concentração ser o período do dia onde somos sujeitos a menos interrupções, onde há menos coisas para fazer que não seja concentrar. Quem diz estudo, também diz escrever um blog. Grande parte dos meus textos foram escritos às tantas da manhã. Provavelmente não é a altura do dia que mais ideias tenho, mas realmente é a altura onde melhor me abstraio de tudo o que me rodeia e melhor me concentro. Existe um silêncio e uma paz eterna.
É isso que o silêncio transmite. Ausência de ruido, de problemas, de interferências. Transmite sossego e calma às atribuladas vidas que levamos. Ficamos só com o que realmente interessa.
Autor
Daniel aka DnlCY
à(s)
03:00:00
0
pensamentos extra
