sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Egipto, algures perdido no Rio Nilo.

Egipto, algures perdido no Rio Nilo – Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Privado de acesso ao mundo informático, só me resta debruçar-me sobre a vida e os meus pensamentos com um certo atraso temporal. Por isso opto nestes dias um formato de diário de Sofia. Mas sem as fofoquices do dia-a-dia de uma jovem indecisa, por outro lado, numa visão ocidental sobre o mundo árabe e faraónico.
São 17h10 hora local, na presença de um espectacular pôr-do-sol, sobre o impressionante rio Nilo. O sossego é tranquilizador, a paisagem magnífica. Um contraste entre montes areosos e secos com um verde que ladeia o rio. A bordo de um cruzeiro junto a uma piscina refrescante observo a vida pacata dos locais a beira-rio.
A paz de espírito, a alegria da amizade. Há tempo para relaxar, pensar, analisar, reflectir. Sobre o passado, sobre o futuro, sobre o presente, sobre extraterrestres:)
O sol arrasador, próprio de um deserto, já lá vai. Mais ainda as viagens matinais das 6h da matina ao Vale dos Reis, túmulos e estátuas, esfinges e obeliscos. Um exercício de engenharia de uma civilização que parece que parou e se deixou ultrapassar pelo tempo.
É o primeiro país árabe que visito, e nota-se claramente uma cultura bem diferente. Logo pela escrita. As mulheres cobertas em vestimentas. As orações no alto das torres das mesquitas. Impossível não reparar nos vários polícias e militares que habitam as ruas. Num país de atentados, a segurança é apertada. Ou mais ou menos, esperem pela história final de hoje:D
Sendo o turismo a terceira fonte de rendimento do país. Não é de admirar que facilmente ouvimos falar em espanhol, francês ou alemão, chinês ou japonês. E naturalmente árabe. Um cruzamento de culturas à descoberta do mundo antigo.
Aqui os problemas do dia-a-dia ficam em suspenso. É tempo de rejuvenescer. Reviver os tempos dos reis. De ricas vidas. Sonhar com uma vida melhor.
Entretanto já é noite e o céu está estrelado. Não se passa nada, o contraste entre a água do rio, o verde das plantas e árvores, e a areia branca do deserto, passou a uma escuridão interrompida por ocasionais luzes de habitações isoladas.
Para finalizar, a primeira grande historia dentro da própria historia. Num Egipto de regateio e oportunistas. Logo à chegada ao aeroporto internacional do Cairo, somos obrigados a passar novamente pelo controlo do detector de metais, mesmo fazendo transferência para um voo domésticos. E foi de admirar que até o próprio polícia tentou fazer render a sua posição de autoridade. Não é que ao passar a minha mala ele decide interpelar-me sobre um simples frasco de álcool em gel. Um daqueles que está cada vez mais na moda por causa da gripe A. Então qual foi a história da carochinha: porque era um produto inflamável eu não podia passar com ele. E por isso ele ia confisca-lo. Mas num gesto demasiado amigável, ele seria simpático e por uma módica quantia de dinheiro, ele fechava os olhos e deixava passar. Simpático da parte dele. Azar da parte dele, apanhou um tuga pela frente e escolheu um produto sem valor nenhum. Naturalmente que tanta conversa não lhe rendeu nada, para além de uma interessante historia. É que curiosamente, num grupo de seis pessoas, todas elas saíram daquele recanto com uma história para contar. Seria coincidência? Ou simplesmente uma mensagem de boas vindas:)

1 comentário:

Unknown disse...

Grande aventura! E como tu dizes, com histórias que ficam desde a chegada ao aeroporto no Cairo! O agente de autoridade tinha mesmo ar de mafioso! lol

Ricardo